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Dicas para assistir

Assisto a filmes e séries desde criança, mas é bom deixar claro que era uma época complicada, pois havia censura e, por isso, muito conteúdo era proibido e, além disso, o que era permitido pela ditadura militar, ou sofria cortes, ou era estadunidense e, portanto, favorecia àquele país, tratando-o como herói, defensor dos oprimidos e transmissor da liberdade, da honestidade e da democracia aos países oprimidos pelo comunismo.
Por isso, não tínhamos opções de filmes e séries de países europeus, latino-americanos ou asiáticos, por exemplo, ademais, a tevê aberta não nos dava escolha, apenas empurrava a programação com cortes e cheia de propaganda; tanto propaganda comercial — enchendo o filme ou a série de intervalos comerciais —, ou de propaganda estadunidense, ou melhor, “americana”, como se autointitulam, tratando-se como o único país das Américas.
Víamos filmes antigos, passados nos cinemas há quase uma década e, quando eram exibidos na tevê, tinham cortes para se adequarem à censura ou ao tempo disponível para passar na tevê.
O mesmo acontecia com as séries, mas com um agravante: os episódios era passados fora de sequência e muitas vezes eram repetidos. Nessa época, não tínhamos noção do que era uma temporada e de quantos episódios integravam uma.
Nos cinemas, os filmes até podiam não ter cortes, mas havia o fiscal para ver se tínhamos a idade permitida para ver o filme. Além disso, o governo militar filtrava o que podia passar em nossos cinemas. Portanto, nem sabíamos que existiam filmes que nos fizessem pensar ou questionar a situação do país.
Nessa época mais antiga, meu pai costumava me levar ao cinema com ele quando eu tinha 6 ou 7 anos e, embora já lesse bem as legendas, ele dizia ao fiscal do cinema que não tinha com quem me deixar e que, além de não ler as legendas, eu iria dormir durante o filme, o que não acontecia… E foi assim que vi muitos filmes proibidos para a minha idade!
Os filmes que mais víamos eram os de bangue-bangue, como chamavam os filmes de faroeste, e os filmes de guerra. Claro que ambos destacavam a história dos Estados Unidos.
No entanto houve uma época em que filmes de faroeste foram produzidos na Itália — após um período de decadência dos filmes estadunidenses dessa estilo —, que eram chamados de “western spaguetti”. Muitos deles foram dirigidos por Sergio Leone e deixaram belas músicas em suas trilhas sonoras.

Esses filmes também foram responsáveis por tornar famosos alguns atores, como os estadunidenses Clint Eastwood, Eli Walach, Lee Van Cleef, James Coburn e Charles Bronson, os italianos Franco Nero, Giuliano Gemma, Terence Hill e Bud Spencer, o alemão Horst Buchholz, os soviéticos Yul Brynner e Vladimir Sokoloff e muitos outros.
O diretor Quentin Tarantino é fã desses filmes italianos e sempre usa o estilo em seus filmes. Django, por exemplo, é um filme originalmente italiano e a versão de Tarantino teve a participação do primeiro Django italiano: Franco Nero.
O fim da ditadura já melhorou bastante as grades da tevê, mas, como disse, a tevê aberta tem suas limitações, além de seguir o sistema editorial de cada emissora, embora nessa época outras emissoras como SBT e Band já dessem mais opções do que assistir.
Só foi graças à internet e à transmissão de filmes e séries (streaming) que podemos escolher o que e onde ver, além de poder ver sem cortes e sem intervalos, ou até mesmo pausar e continuar em outro horário ou dia.
Além disso, temos opções de filmes e séries de outros países além dos Estados Unidos ou, quando vemos filmes estadunidenses, podemos perceber a propaganda em favor do sistema daquele país ou, às vezes, o próprio filme faz chacota com isso!
Mesmo antes de cursar jornalismo, já lia e estudava sobre cinema e séries, acompanhava revistas, programas de tevê da TV Cultura e programas especiais, além do Oscar. Também gostava de indicar filmes e séries, mesmo quando não eram de estilo ou gênero de minha preferência, inclusive cheguei a escrever em sites e blogues, mas agora poderei deixar algumas dicas por aqui!!
Hoje, gosto de assistir filmes e séries fora dos Estados Unidos. Vejo muitas séries britânicas, mas também espanholas, italianas, francesas e também de países nórdicos.
Tentarei deixar a informação de onde assistir as dicas que deixar por aqui, mas outras dicas poderão tratar de uma obra, de um(a) diretor(a), ator ou atriz — filme ou série — e, por isso, pode ser que não saiba como assistir.
Para não perder a oportunidade, já deixarei uma dica de um filme lançado no ano em que nasci e, para ler, basta clicar aqui!

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